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Domingo, 03 de Janeiro de 2010

 

Olá! Eu sou o B. Tenho 19 anos e estou um pouco atordoado! O meu pai acabou de sair porta fora levando o inferno com ele. Segundo seguinte, eu e a minha mãe sentámo-nos extenuados. Foram cerca de dezoito meses, ou mais, de inferno! O bastante para acabar com a nossa família ou quase! Falto eu! Desculpem! Sei que não estão a compreender nada! Eu explico. Ou tentarei… O meu pai veio para nossa casa, depois de oito anos de separação e um divórcio rápido. Encontrara, finalmente, a mulher dos seus sonhos! Este sonho durou só oito anos deixando-o profundamente ferido nos seus sentimentos e orgulho. (Foi trocado pelo capitão!) Sentimento que antes não me lembro de lhe ver. Talvez porque não gostasse da minha mãe. Só isso explica tudo! Foram ainda onze anos de convivência! Talvez mais um mês ou outro! Não interessa! O que posso dizer é que, depois daqueles abençoados oito anos de paz e sossego, e quando menos esperávamos, ele bateu à nossa porta. Queria viver connosco. Ficámos admirados! A minha mãe cujos sentimentos por ele haviam terminado há muito, inesperadamente, recebeu-o. Parecia até feliz! Não compreendi nada na altura! Não fosse o passado sombrio dele! Segundo recordo, é mais ou menos isto: o meu pai e a minha avó converteram-se ao mal quando este tinha oito anos! Ela foi e levou-o. Isto nada teria de mal, não fosse ele usar essas energias maléficas sobre nós: eu, a minha mãe e as minhas irmãs. Pode dizer-se que saímos daqueles onze anos de convivência armadilhados. Todos nós. Talvez mais a minha mãe por quem ele nutre um ódio incomensurável (ele e a mãe!). Percebi-o nos seus comentários e atitudes durante os oitos anos de separação. Retomando o fio à meada: ele veio viver connosco. O ambiente? Já o descrevi: um verdadeiro inferno, para quem vivera feliz durante estes oito anos! Como é que ele conseguiu entrar aqui em casa apesar de todas as expectativas apontarem para o contrário? Está-se mesmo a ver: as suas malditas artes negras! Ao sairmos, após onze anos de relação próxima armadilhados, foi fácil! Bastou-lhe um pouco de esforço! O resultado da sua integração no nosso meio familiar foi desastroso! Não se integrou, pura e simplesmente. Durante a sua presença, vivemos uma espécie de inferno, como já disse! Vivíamos, como lhes hei-de explicar? Vivíamos num ambiente de permanente ansiedade e tensão misturada com alguma discussão. Ah, mas isso só acontecia quando ele saía de casa! Quando ele estava, o ambiente parecia melhorar inexplicavelmente. Assim que ele partia… Nós, que levávamos uma vida calma e serena, não resistimos. A minha mãe vivia sempre num misto de ansiedade e tensão e com uma inexplicável mania da limpeza que ela nunca teve! Nunca se interessou por tal! Fazia o que tinha a fazer sem mais preocupações! Ele, que fazia tudo ou quase tudo, durante os oito anos passados com a mulher dele e a filha desta, aqui não fazia nada. É um rei e senhor de uma casa que não é dele e de uma família à qual ele já não pertence ou nunca pertenceu, se querem saber a minha opinião! Só lhes posso dizer que, em poucos meses, a nossa vida deu uma volta de cento e oitenta graus! As minhas duas irmãs, que eu adorava, morreram em dois trágicos acidentes. Vítimas talvez do ambiente gerado com a presença daquele homem! Da nossa família de quatro pessoas, só resto eu e a minha mãe! Como devem calcular, o sofrimento partilhado por aquelas duas queridas perdas, acompanhar-nos-á para toda a vida! Eram as pessoas que mais gostávamos! Houve mesmo uma altura em que temi pela minha própria vida! Mas não, ele acabou de sair! Encontrou outra mulher! Foi-se embora levando metade do dinheiro do IRS recebido este ano! Julgo que estava à espera deste dinheiro para sair! Se assim foi, abençoado dinheiro! Devia ter vindo mais cedo! Mas, para quê? Não teria salvo as vidas das minhas irmãs! E, após aqueles meses infernais, estamos, finalmente, sentados em duas cadeiras olhando um para o outro, um pouco atordoados, sem sabermos o que fazer da vida. Há, contudo, uma certeza: o ritmo infernal em que vivíamos acabou. Definitivamente! Voltámos ao que éramos! Só que em menor número! Olhamo-nos angustiados! Não com a saída dele! Não! Não estamos tristes com a partida dele, só com a casa vazia! A alegria que a minha irmã mais nova trazia a esta casa, apagou-se! Definitivamente! A inteligência e a segurança que a minha irmã mais velha nos dava… acabou! Não sei se alguma vez iremos recuperar destas perdas! Acho que não! Teremos de aprender a viver com elas. Mas as minhas irmãs viverão sempre connosco! Quanto ao meu pai, terei de continuar a chamar-lhe tal e fingir que nada aconteceu! Para meu bem! Embora sabendo que mesmo estando fisicamente ausente, a sua magia negra acompanhar-nos-á sempre até ao fim da vida! Como uma maldição! Eu estava nos bombeiros, já fizera mesmo a recruta e gostava daquele trabalho! Tinha mesmo vocação para aquilo! Por alguma “estranha” razão, deixei, pelo que me sinto perdido tal como a minha mãe. Ele destruiu-nos. O que eu sei é que, embora o meu pai esteja fisicamente ausente, como já disse, teremos sempre de viver com as suas artes mágicas bem avançadas que nos acompanharão pela vida fora! Digo bem avançadas porque não parece haver solução para tal. E não nos podemos queixar ou pedir ajuda! Afinal, estas coisas não existem! Só para nós!

Para que escrevo isto? Talvez para evitar que estas memórias, apesar de amaldiçoadas, jamais venham a ser apagadas da minha memória! Apesar de amaldiçoadas, são minhas! Ninguém tem o direito de apagar seja o que for da memória dos outros! Nem mesmo as artes negras têm! Sobretudo estas!

 

Fátima Nascimento

 



publicado por fatimanascimento às 22:12
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