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Sexta-feira, 09 de Maio de 2008
A manhã acordou pacata e risonha. A estreita rua, de antigos prédios altos, abria os braços aos desinquietos e mornos raios. Saí para o sol aconchegante, deixando-me envolver pela pacífica luz. Não se via ninguém na rua. Fui até ao Largo da Maternidade, para descer sempre, até à Rua do Campo Alegre. Como a manhã se apresentava esplêndida, resolvi ir a pé até à faculdade. Era o primeiro dia de aulas, o dia da temível praxe. Instintivamente, já esperava que os alunos mais velhos tivessem preparado algumas brincadeiras. Estava preparada para elas e, sobretudo, para fugir a brincadeiras que, muitas vezes, ultrapassavam os limites.
À entrada do portão, só o velho palacete azul me dava as boas-vindas entre acolhedor e malicioso. Olhei espantada para o edifício. Não poderia ser esta a faculdade! Onde estava o edifício novo de construção moderna de que me haviam falado? À minha volta o jardim, meio abandonado, de árvores altas e frondosas, filtravam os raios solares, cada vez mais fortes. Contornei o edifício. Atrás dele, desenhava-se o novo pavilhão de linhas direitas. Dirigi-me cautelosamente a ele, com os sentidos alerta. Numa das portas, onde desembocava o portão mais acima, havia uma fila de jovens, que eu adivinhava serem caloiros, retidos à entrada, como um rebanho à espera de passar o portão estreito. A minha intuição desviou-me daquela entrada. Escolhi uma outra que estava livre. Mais descansada, dirigi-me a ela, quando reparei que dois alunos bloqueavam a entrada. O que fazer? Se eu hesitasse ou fizesse algum gesto revelando insegurança, estaria descoberta. Não, pensei para mim, eu era uma aluna antiga já. Os dois jovens preparavam-se para me bloquear o caminho, quando ficaram aturdidos com a minha descontracção. “Com licença! Bom dia!” disse eu sem parar. Continuei a andar. Os passos confusos deles seguiram-me, enquanto os ouvia murmurar. “Caloira?”, perguntava um. “Hum, não sei… Vamos ver!, respondia o outro, enquanto me viam a consultar o horário, para ver em que sala ia ter aulas. Eu olhava atentamente as portas das salas. A mesma sala tinha duas portas, uma delas marcadas no alto, com o respectivo número doirado, enquanto a outra estava marcada desajeitadamente a giz branco. A minha sala ficava no rés-do-chão. Entrei, sem a mínima hesitação, e esperei na sala vazia, onde apenas o sol alagava a sala, subindo pelas paredes. Das largas janelas opostas à porta, o jardim cantava ao som daqueles raios outonais. O vento brando acariciava e balançava docemente algumas flores resistentes e os ramos das árvores. Do lado oposto, as vozes confusas mas resolutas. “Não, não era caloira!”, acordaram entre elas. Sorri. Estava segura.
Daí a pouco, vozes dispersas começaram a dispersar-se pelos corredores. Acabara a praxe. Alguns rostos surgiram à porta. Não era ali a sala de aula, embora o horário defendesse o contrário. Iriam informar-se melhor. A aula mudara de sala. Acompanhei os meus colegas a uma sala mais ao fundo.
“É tua colega?”, perguntou um dos meus antigos perseguidores. À resposta afirmativa do meu colega de turma, eles mostraram-se inconformados por terem sido enganados. “Escapou-se desta!”, foi a resposta. Interrogando os meus colegas, percebi que a praxe até tinha sido divertida. Só uns riscos, umas pinturas com batom, uns teatros improvisados, … nada mais. A opinião geral era que eles até tinham sido simpáticos.

Fátima Nascimento


publicado por fatimanascimento às 02:05
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