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Sábado, 03 de Fevereiro de 2007
O Carnaval tem o seu encanto, como sempre o teve. Mas, como em tudo, a acção humana é decisiva. Quando era pequena, o Carnaval não passava de pequenas brincadeiras dispersas, de máscaras improvisadas, silenciosas e algo envergonhadas que desfilavam ajuizadamente junto dos familiares. No meu bairro, de meia dúzia de casas, éramos nós que dávamos o acorde carnavalesco. Assaltávamos o guarda-roupa familiar e tirávamos de lá o que nos agradava (ou o que nos deixavam trazer), tudo roupa usada e, a maior parte dela, já posta de lado, destinada a amigos ou familiares mais pobres que as acabavam de romper na lida dos campos, às vezes, roupa ainda boa que deixava de servir aos nossos pais, amigos ou filhos mais velhos destes que, como não tinham a quem as dar, as davam a pessoas, cujos familiares e amigos, habitavam uma aldeola próxima. Era a época em que dávamos mais corda à imaginação, e, tal como na Cinderela, as nossas vestes simples e gastas transformavam-se em cortes reais distintos, faiscando às numerosas luzes do palácio imaginário. Era a altura de assumirmos o papel de personagens nossas conhecidas, por nós reinventadas. E todo o encanto durava o tempo das nossas brincadeiras e fantasias. No final do dia, separávamo-nos muito tristes e pesarosos, sonhando já com as brincadeiras do dia seguinte, que continuavam ou davam lugar a outras novas, quando se dava o caso de encontrarmos novas roupas que davam ideias a novas personagens e brincadeiras. À medida que fomos crescendo, esse gosto pelo carnaval pareceu perder fôlego. Limitávamo-nos a observar indolentemente os outros mais novos ou os desfiles organizados noutras localidades, que, após alguns anos, ganharam algum prestígio. A par com o Carnaval, começaram as brincadeiras dos ovos e farinha, bombas de mau -cheiro, bombas carnavalescas, etc. que em nada contribuíram para o prestígio do mesmo e só dando gozo àquele tipo de pessoas cujo divertimento só tem graça se for à custa dos outros. Depois, com a idade adulta, quando se começa a conhecer melhor a natureza humana, para mim, o Carnaval nada mais era do que uma troca de máscaras- a pessoa troca a máscara que transporta diariamente para assumir aquela que mais a deslumbra por qualquer motivo, seja ele qual for, embora esta em nada rivalize com a naturalidade da primeira. É que aquela tem um treino diário e esta só é usada nesta época. Devo dizer que este tipo de Carnaval nada me diz... no entanto, olho para um Carnaval como o de Veneza, onde toda uma cidade veste uma determinada personagem, numa máscara perfeita que em nada trai a verdadeira identidade do portador. As pessoas falam umas com as outras, divertem-se, escondendo sua verdadeira identidade e assumindo completamente a identidade da personagem por eles escolhida, sem atropelos, sem brincadeiras de mau gosto, só pelo prazer de assumir um papel diferente, que o eleva por momentos a um mundo diferente daquele que vive no dia a dia. É este o verdadeiro espírito carnavalesco, pelo menos, da forma como eu o entendo. Assim, vale a pena haver Carnaval... e vivê-lo!


publicado por fatimanascimento às 07:37
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