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Sexta-feira, 24 de Agosto de 2007
O espelho foi quase sempre para mim uma superfície mágica onde eu via o meu rosto reflectido ocasionalmente, de passagem em qualquer divisão da casa ou de uma casa de banho. Nunca fui, nem sou, uma pessoa que perca muito tempo com a aparência física, embora reconheça que a maquilhagem realça as qualidades do rosto. A minha única preocupação é o peso, sobretudo por razões de saúde, e também estéticas, mas nunca me senti escrava das linhas corporais, e nunca deixei de comer o que me dava prazer, só para manter o que me parecia adequado. Nem as estrias ou o tão proclamado tecido adiposo que, aglomerado em certos locais do corpo, tanto parecem afligir as mulheres. Sempre me senti um pouco diferente, no que respeita a essas preocupações estéticas. Não me perguntem porquê, talvez nem eu saiba a razão… toda a vaidade parece ter sido erradicada do meu ser. Talvez porque sempre achei que fisicamente não era nada de especial, talvez daí o desinteresse por mim própria ou a aceitação total daquilo que sou. Preocupo-me em andar asseada e em ter roupa e calçado confortáveis, mais nada… desde que eles não me façam parecer um balão ou me prendam os movimentos! Desde muito pequena que a liberdade de movimentos é, para mim, fundamental. Uma peça de roupa justa ou de cerimónia, eram uma tortura, e eu evitava vestir. Para além do conforto, as peças de roupa têm também de ser suaves no contacto com a pele, práticas ao vestir, e resistentes. Bastava falhar uma dessas características, para eu nunca mais vestir essa roupa.
Com o meu corpo, cumpro as regras básicas para o manter saudável e é tudo. O cabelo, quase sempre curto, é uma exigência do próprio que é muito seco e estraga-se com facilidade. Não digo que não gostava do meu cabelo dos doze anos, comprido a roçar os ombros e cheio de canudos largos e sedosos, numa fotografia de praia onde excepcionalmente me gosto de rever, mas, como pessoa prática que sou, mantenho-o curto, saudável e penteado. Pelo menos, eu tento… mas também não me preocupo se ele, por qualquer razão alheia à minha vontade, está despenteado. Aliás, gosto de sentir o vento no meu cabelo. Como também tenho pouco tempo para dedicar ao meu aspecto físico, trato só de eliminar os inestéticos pêlos, que aparecem com a adolescência. Mas mesmo estes, por vezes, escapam à escrupulosa busca… tão pouco é, para mim, motivo para deixar de sair à rua.
Uma tarde destas, entrei na casa de banho e olhei-me ao espelho com já há muito não o fazia. Olhei com a tenção o meu rosto, pela primeira vez, desde há muito tempo. Já me havia esquecido de muitas das suas particularidades. Não me refiro à passagem do tempo. Esse está lá! Refiro-me às pequenas características… os meus olhos. Esquecera-me como eles são tão diferentes no inverno e no verão. No Inverno assumem o castanho escuro límpido que, com a primavera, começam a delinear, à volta das íris, um cordão cinzento azulado. No verão, a íris toma reflexos castanhos claros esverdeados sempre rodeados desse cordão cinzento azulado. É como se de uma palete de cores se tratasse, todas elas límpidas e sabiamente misturadas, pelo hábil pintor.
Foi ao olhar profundamente nos olhos da minha carochinha, tão semelhantes aos meus, que eu me lembrei desse pormenor…foi o seu reflexo que me fez lembrar de mim! Também os dela tomam, para além do puro castanho igual ao meu, o mesmo cordão cinzento azulado que limita exteriormente a sua íris. Também os dela tomam essa mesma palete de cores magistralmente misturadas…


publicado por fatimanascimento às 07:15
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