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Domingo, 25 de Fevereiro de 2007
Desde que me lembro, várias pessoas, ao longo da minha infância, adolescência e parte da juventude, colocaram-me, por várias vezes, esta questão. A primeira delas foi a minha mãe, que ficara impressionada com a determinação de uma criancinha que, ao ser-lhe colocada esta cíclica pergunta, na sua presença, respondera categoricamente, que queria ser médica, e como, para ela, era assim que estava certo, uma criancinha de cinco ou seis anos, já saber o que queria ser quando crescesse, resolveu tentar comigo! Ao colocar-me tal questão, eu não soube responder… nem sequer tal me passara pela cabeça! Então, ela resolveu alargar-me os horizontes: médica, advogada… sobretudo uma destas duas carreiras (embora o meu pai pugnasse pelo Direito). Pois… mas nem uma nem outra me seduziam! Mas não disse nada e, quando me colocavam a já habitual questão, eu já papagueava a resposta ensaiada em casa… acho que cheguei até a acreditar nisso, depois de repetir tantas vezes a mesma resposta. E, quando era apanhada de surpresa, eu respondia a primeira que me vinha à cabeça. Ora, no terceiro ciclo, as minhas notas variavam mais que as acções da bolsa e tanto tirava boas notas nos testes como más…dependia da atenção e do trabalho realizado, mas sobretudo tinha a ver com a forma como eu reagia interiormente a factores externos, sobretudo aos afectivos e emocionais. Assim que cheguei ao nono ano, e depois de ter chumbado uma vez neste ano de escolaridade, a minha professora de Matemática aconselhou-me (e muito bem!) a optar pelo curso de letras… e lá se foi o meu sonho secreto de adolescente de ser astrónoma! Nunca o confessara aos meus pais porque sabia que, para eles, não era suficientemente prestigiante! Ouvia-se falar mais de médicos e advogados a quem, sem excepção, se tratava por "sr. doutor"...
De facto, nunca tive uma ideia certa do que queria ser ao longo da minha vida, e as opções iam desde vendedora numa loja a uma carreira universitária, mas nunca dei muito valor a isso! Estava a descobrir-me e não tinha pressa nenhuma de pensar nisso a sério! Ao que eu dava valor era às minhas paixões: descobrir aquilo que mais gostava de fazer em determinada fase da minha infância, adolescência ou juventude e dedicava-me à leitura ou a observar como era determinada profissão de carácter mais prático. No secundário, eu tinha três grandes paixões que eram a História, o Inglês e a Filosofia, o que dificultou ainda mais a minha escolha! Finalmente, e depois de algumas hesitações e outras fortes condicionantes, optei pelas Línguas e Literaturas Modernas. Mas foi um acaso... (E eu que gostava dos cursos universitários à americana ou à australiana que permitiam aos universitários escolher as cadeiras que queriam estudar!) Quando penso nos meus pais, eles só têm razão num aspecto: as profissões que eles me apontavam são, ainda hoje, as que mais ganham e, se o dinheiro não é tudo (e não é!) dá jeito a quem tem pouco e estudou tanto!
Hoje, eu compreendo a posição dos meus pais e das outras pessoas que agiam (e agem ainda!) como eles. No entanto, eu, como mãe, deixo aos meus filhos a liberdade de se descobrirem primeiro como pessoas, aconselhando-os contudo a trabalharem sempre, mesmo que não tenham em vista ainda o que querem fazer quando crescerem. Também lhes ensino que não há empregos melhores do que outros, e que ao escolherem uma profissão, devem ter a certeza de que é isso que querem fazer, ver se essa profissão os faz felizes e se lhes permite ganhar o suficiente para se manterem e à família que constituirão. É para isso que eu alerto os meus filhos… não os aconselho a tirar um curso superior, (também não os desaconselho!) e se o fizerem e não arranjarem emprego, aconselho-os a que olhem à sua volta e vejam as oportunidades que existem) e se quiserem aprender uma profissão e, se forem bons nela e tiverem cabecinha, que se estabeleçam por conta própria! É o conselho que dou aos meus...


publicado por fatimanascimento às 09:46
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