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Terça-feira, 28 de Novembro de 2006
muitos anos atrás, eu vivi numa pequena localidade, onde o espaço, o ar puro e a alegria não faltavam. Todo o meu imaginário está ligado àquela terra, especialmente à zona alta da mesma, onde vivi enquanto ali permaneci. Toda a vizinhança se conhecia, todos se falavam e viviam uma existência alegre e despreocupada. Foi neste clima que vivi a minha infância, junto aos meus vizinhos e companheiros de brincadeiras (o Majó, a Paula Tavares, o primo desta, o Carlos Manuel, também conhecido por "Vences", a Paula Saraiva, a Isabel Matos, o Paulo Paulino, o João Pedro Santos, o Cruz, O Zé Carlos... e o Kimba, o nosso cão de raça indefinida, de cauda muito curta, todo negro à excepção da sua mancha branca do pescoço, que fazia lembrar uma gravata.
Adoptámos o cão, dávamos-lhe de comer e... foi o amigo mais fiel que se possa imaginar! Diria mesmo devotado! Acompanhava-nos em todas as brincadeiras malucas que inventávamos. Mais tarde, quando fomos para escola e, depois, para o ciclo, ele acompanhava-nos durante os cerca de 2 km de trajecto, esperava por nós e acompanhava-nos no regresso a casa. Quantas vezes saímos do recinto da escola para o ir defender de miúdos que o agrediam...a ele que adorava miúdos! A imagem dele acompanha-me sempre protegendo-me como sempre fez... foi o único amigo que nunca me defraudou! Quando chegámos à juventude, já não queríamos que ele nos acompanhasse, então, ele virou-se para geração seguinte, acompanhando-a tal como fizera connosco... com a mesma devoção! Quando nos juntávamos, a geração a seguir à nossa fazia questão em nos seguir, e quando nos separávamos, ele percorria a sua indecisão no espaço que separava os dois grupos – o dos mais velhos e o dos mais novos. Quantas vezes ele não se sentiu dividido entre nós e a nova geração? Se nós tivemos sorte nalguma coisa foi, sem dúvida, no espaço que circundava as nossas casas. Do lado da porta da cozinha, para lá dos muros do meu quintal, da ruela em terra batida e semeada de pedras brancas, e de um espaço amplo, coberto de erva que cercava o poço, havia um olival, com algumas figueiras à mistura. Ao lado do prédio onde eu vivia, para lá do carreiro largo, cheio de poças largas e fundas, havia outro olival que acompanhava este carreiro até ao final do mesmo, igualmente salpicado de figueiras de figos pretos e verdes, ao fundo deste, do lado esquerdo, iniciava-se outro carreiro que nós chamávamos “Carreiro das Cobras”, que confinava com as marcas das quintas que ali existiam (e existem!). Este ligava a uma estrada larga de duas faixas, por nós conhecido como auto-estrada, que limitava o olival a oeste. Junto das bermas da “auto-estrada” encontravam-se as bombas da sonap (hoje propriedade da Galp) e o café, que ainda hoje existe, embora modificado. Eram agradáveis os passeios no verão até lá, embora não precisássemos de ir tão longe… Lembro-me com saudade, do mês de Junho e dos santos populares, altura em que os irmãos mais velhos dos meus amigos de infância iam apanhar lenha, rosmaninho,… para fazer a fogueira que acendiam na noite em que se festejava o dia dedicado a cada santo. Como nós ansiávamos por essa ocasião! Lembro-me de saltar de mãos dadas com os meus amigos de infância ( a Dulce, o Fernando e a Alicinha) atravessando as altas labaredas coloridas e perfumadas… sinto ainda a excitação provocada pelo medo e como apertávamos as mãos uns dos outros e como nos lançávamos através da cortina de fogo e da satisfação por termos conseguido ultrapassar aquela barreira! As vozes dos pais gritando conselhos e supervisionando os nossos saltos. Lembro-me da música que nós ouvíamos naquela década de setenta e que ainda hoje ouço e que me trazem recordações adormecidas há muito. Lembro-me da capela do largo de Santo António, cuja capela tinha o mesmo nome, uma das mais belas que eu já conheci, e onde me gostaria ter casado um dia… conheci os cantos àquela capela, mesmo os recantos que outros nunca chegaram, nem chegarão, a ver. A parte frontal do meu prédio ficava virado para o largo e a capela, do lado direito do mesmo, marcava o início do olival… Lembro-me da festas de Santo António, das marchas, da procissão, a chegada e venda das fogaças… Era uma semana durante a qual os cheiros se misturavam com a música e as luzes… Nas traseiras da minha casa, alheados a toda a confusão, os pirilampos passeavam as suas luzes esverdeadas e intermitentes. Cansados do reboliço da festa, refugiávamo-nos naquele mundo feérico, observando e brincando com aqueles seres tão luminosos. Pouco a pouco, esse espaço desapareceu, foram cortando as árvores, construindo moradias e prédios e, hoje, o Bairro de Santo António, quase irreconhecível, bate-se contra o atrofiamento em que o deixaram…


publicado por fatimanascimento às 08:45
Segunda-feira, 27 de Novembro de 2006











Que posso eu dizer sobre mim? Não estou habituada a falar de mim própria, talvez nem seja a pessoa adequada para o fazer. Não quero dizer com isto que não o faça com imparcialidade, pois costumo ser bastante dura comigo própria, séria, honesta... só que não gosto de falar de mim, mas vou tentar! Aqui vai... Não sou diferente dos outros e também não sou igual a eles! Não sou bonita, também não me considero feia. Não sou alta, também não sou baixa. Não sou gorda, também não sou magra. Não sou elegante, mas estou contente com as minhas formas naturais. Não sou vaidosa, mas gosto de me sentir bem. Não sou orgulhosa, mas também não sou humilde. Não sou alegre, mas também não sou uma pessoa triste. Gosto de brincar, mas não é sempre. Não sou muito culta, mas sei muita coisa. Gosto de pensar, mas não de divagar em assuntos estéreis. Gosto de me divertir, mas detesto os abusos. Tenho muitos conhecidos, mas poucos amigos! Gosto de estar com amigos, mas preciso de tempo para mim. Demoro a conhecer as pessoas, mas, mais tarde ou mais cedo, chego lá. Não suporto a traição mas tive (e tenho) de viver com ela, e vem de todos os lados e quando menos esperamos! Sou solidária, mas detesto ser enganada! Tenho sentido de humor, mas não sou superficial ou irónica. Não sou uma crítica impiedosa, mas consigo ver o ridículo das situações. Amo Deus, mas não sou fanática. Acredito em todas as religiões, desde que defendam a felicidade do ser humano. Penso profundamente, mas o mais abertamente possível. Acredito no ser humano, mas... não em todos e, sobretudo, não agora, ... um dia, o ser humano chegará lá! Gosto de trabalhar, mas não vivo para o trabalho. Acredito no casamento, mas encontrei a pessoa errada. Acredito na felicidade, mas não encontrei uma duradoura! Acredito no amor, desde que verdadeiro. Gosto de comer, mas tenho problemas digestivos. Gosto de cozinha estrangeira, mas prefiro a portuguesa, a italiana e a chinesa. Gosto de beber de vez em quando, mas, para mim, as bebidas são para saborear, não para beber… Adoro viajar, mas com tempo. Faço caminhadas a pé, mas preciso de uma boa companhia ou faço-as sozinha. Gosto muito de conhecer pessoas, mas dispenso as que tratam os outros como objectos descartáveis. Sou curiosa, mas utilizo a curiosidade de forma útil. Gosto de rir abertamente, mas não me rio das pessoas. Gosto de conhecer o próximo, mas para o ajudar e não para o manipular. Gosto de todo o tipo de música, desde que esta seja melodiosa. Leio todo o género de livros, desde que o estilo e o tema me cativem. Leio poesia, mas prefiro-a simples. Tolero todo o tipo de pessoas, desde que não me prejudiquem. Gosto de animais, mas não tenho muito espaço (nem tempo!) para cuidar deles. Gosto de jardinagem, mas o cão estraga tudo! Gosto de tirar fotografias, mas a revelação é cara! Gosto de cinema, mas não de todo o tipo de filmes. Gosto de ir ao cinema e ao teatro mas o tempo é pouco (e o dinheiro!). Gosto da minha casa, mas o crédito leva-me o salário todo! Sou positiva, mas também conheço os meus momentos de desânimo. Sou sonhadora, mas tenho os pés bem poisados na terra. Sou meiga, mas, se estou chateada, sou distante. Sou distraída, mas não sou estúpida. Sou boa mãe, mas julgo que posso sempre fazer mais…e tenho sorte com os filhos que tenho: são boas pessoas! Sou paciente, mas não para a má vontade! Gosto de desporto, mas não faço com regularidade. Gosto de cavalos, mas tenho medo (deve ser do tamanho!)! Poderia continuar a falar de mim, mas já chega... Fátima Nascimento, in http://aragens.blogspot.com



publicado por fatimanascimento às 07:23
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